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Por Diogo Gonçalves

Em janeiro de 2016 atingimos um triste recorde: somos quase 60 milhões de brasileiros endividados. Os dados foram divulgados pela Serasa Experian, que aponta o descontrole financeiro e o desemprego como umas das principais causas. Empréstimo também está na lista como explicação para o aumento de 5 milhões de pessoas a mais em relação a 2015. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em março, 60,3% das famílias brasileiras estavam endividadas, número maior do que o apontado em 2015: 59,6%. Em fevereiro desse ano, o índice chegou a mostrar 60,8%.

Certamente, esse número seria bem menor se todos aprendessem a se organizar financeiramente desde pequeno. As crianças precisam e devem ser preparadas para o mundo que irão se deparar na fase adulta. A falta de preparo está refletida diretamente no cenário econômico que vemos hoje. A prática financeira deveria ser parte do nosso dia a dia e não falo do dinheiro em si, mas da consciência dos gastos, do planejamento, de saber poupar. Precisamos mudar nossa cultura com urgência! Caso contrário, os números apontados anteriormente serão cada vez maiores. Assim como nos alimentamos, estudamos, praticamos exercícios físicos, cuidar das nossas finanças pessoais e começar a fazer isso o quanto antes precisa ser parte da nossa rotina.

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A literatura propõe a idade de 7/8 anos como o tempo certo para introduzir este assunto de forma mais didática, como o recebimento da mesada. Mas minha experiência permite afirmar que, independente da idade, o principal a ser observado é a maturidade da criança; as idades são apenas uma referência. Não necessariamente o dinheiro em si deve ser abordado, mas pode-se ensinar indiretamente, instruindo a criança a apagar a luz quando não tiver usando e a acelerar o banho por estar gastando água; tudo isso também custa dinheiro.

É válido explicar de onde o dinheiro vem e como o ganhamos. Falar sobre seu trabalho, sobre o tempo que passa fora de casa executando tarefas para em troca ganhar dinheiro e trocar, novamente, pela comida, pelo local que moram, energia etc. Fazer comparações entre a diferença de desejo e necessidade, mostrar a importância de se planejar para conseguir o que quer.

Quando a criança alcança um entendimento ainda maior, a semana da e mesada fazem com que ela tenha a chance de colocar em prática o que você tem ensinado. Uma das instruções que sempre dou é remunerá-la a partir de um trabalho executado, fazendo uma troca. Por exemplo, dar o dinheiro do lanche da escola e do final de semana para que sábado e domingo a criança não precise pedir mais, aprendendo a usar o dinheiro que estava com ela desde o início da semana.

O importante é, uma vez tendo dinheiro, começar a se planejar, poupar e fazer um orçamento.   Ao mesmo tempo, ensinar a criança a anotar seus sonhos e estimulá-la a saber o valor de cada um deles, quando os mesmos forem apenas financeiros. Assim, pode-se demonstrar o quão fundamental é poupar para adquirir um bem no futuro. Não se trata, portanto, de estimular o consumismo, mas, acima de tudo, a responsabilidade.

Os filhos são reflexos dos pais. O exemplo é fundamental. Depois de dar todos estes ensinamentos na teoria, praticá-los é, sem dúvida, o mais importante. No Brasil economicamente turbulento dos dias atuais, as famílias que tiverem o mínimo de consciência financeira em relação às suas possibilidades serão a base da reconstrução da economia real, aquela do dia a dia. Preparar as futuras gerações sobre o valor do dinheiro poderá ensejar um País melhor, até mesmo na dimensão ética.

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Imagens: Pexels