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Por Camila Almeida

Em qualquer país em que a moeda local tem grande diferença em relação ao dólar gera consequências à economia. Por ser a principal moeda de troca para pagamentos internacionais, o dólar interfere nas importações de matéria-prima ao país e exportações de produtos nacionais ao exterior, entre outros fatores, como investimento estrangeiro e também o turismo. O dólar elevado tem feito o brasileiro reconsiderar fazer uma viagem internacional agora. E os que a fazem tem reduzido os gastos na compra. Em novembro, o Banco Central registrou queda de 43% das despesas de brasileiros no exterior comparado ao ano anterior, somando US$ 970 milhões. Com a valorização da moeda norte-americana, dificilmente o país irá superar em 2015 o recorde dos gastos lá fora de 2014, de US$ 25,5 bilhões. E em 2016, o que esperar da cotação do dólar e o que fazer para quem planeja uma viagem dessas neste ano?

No cenário externo, 2016 será marcado pelas eleições nos Estados Unidos, pelo acompanhamento da desaceleração da economia chinesa e a recuperação das economias europeia e norte-americana. Apesar das interferências de lá de fora, é a instabilidade interna que mais tem influenciado na disparidade entre o real e o dólar. Apesar da elevação da taxa de desemprego e da inflação entre outros reajustes que afetam o bolso do brasileiro, o país hoje vive uma situação melhor do que da década de 90, pondera o economista Alessandro Azzoni. O Brasil acumulava dívidas internas e externas naquela época. Hoje temos padrão monetário e reservas internacionais acima dos US$ 360 milhões, registrado em dezembro de 2015.

O Brasil tem estrutura, não está quebrado. O real desvalorizou por falta de confiança. E hoje estamos com falta de direção, de perspectiva

, afirma o economista. O real está entre as moedas que mais se desvalorizaram no mundo ante o dólar, em 33%. O primeiro semestre de 2016 ainda será uma onda reflexa da falta de uma política econômica aplicada, na opinião de Azzoni. Isso fará com que o real se mantenha desvalorizado, já que inflação e juros altos reduzem investimentos de empresas e poder de compra dos brasileiros. A inflação tem aumentado por conta dos custos e não pela demanda dos consumidores. A previsão para 2016 é de 6,86%, bem acima da meta central de 4,5%. O Banco Central controla o índice aumentando os juros já elevados, com previsão de 15,25% ao ano em 2016.

A alta do dólar também interfere o empreendedorismo brasileiro. Hoje a exportação é mais favorável, já que está mais barato comprar do Brasil. O economista alerta o empreendedor que não feche um contrato com um dólar que não é real – já que tem oscilado com noticiário político-econômico –, próximo dos R$ 4. “Ele deve estipular um teto de até quando pode suportar os custos fixos para honrar os contratos em dólar”, explica. Já para o comércio, Azzoni acredita que será mais magro, que algumas empresas poderão fechar e que mais demissões poderão acontecer no primeiro semestre.

Planejando a viagem

Mesmo com a instabilidade do dólar, há economistas que acreditam que a moeda norte-americana poderá reduzir, mas não terá cotação tão diferente da atual. Para quem planeja viajar, o educador financeiro Pedro Braggio, sugere esperar alguns meses para ver se o dólar se estabiliza. Vale acompanhar o noticiário nacional e internacional e ir comprando a moeda em dias de baixa. “É questão de oportunidade. Melhor esperar seis meses para entender a dinâmica de mercado e comprar a moeda”, comenta para quem planeja uma viagem.

Ele diz que a viagem deve ser programada com pelo menos dez meses de antecedência. Deve-se definir datas, valores, passeios e atividades no destino para calcular o custo da viagem e quanto deverá reservar para comprar moeda estrangeira. Braggio orienta que seja reservado um valor do orçamento mensal para a poupança destinada à viagem e fica de olho em pacotes promocionais, com passagem de avião e hotel que podem sair mais em conta.


Imagem: morgueFile/ Alvimann