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Por Camila Almeida

A vida em outro país tem grandes chances de dar certo quando bem planejada. Seja para viver definitivamente em Londres, viajar a negócios pelos Estados Unidos ou passar um ano sabático pela Ásia, vez ou outra o orçamento pode precisar de um reforço. E antes que a reserva chegue a um nível crítico, é melhor você saber como fazer para receber dinheiro estando em outro país. De acordo com o Banco Central, há algumas formas de mandar valores ao exterior: através de uma corretora de câmbio, pelas agências de transferência de valores, pelos Correios, via PayPal ou de banco para banco. No geral, você precisa apresentar os seguintes itens:

-seu documento de identidade, porque é preciso informar quem envia o valor. De acordo com a quantia a ser enviada, a instituição financeira escolhida pode pedir outros documentos, como comprovante de residência e até declaração de imposto de renda;

nome de quem vai receber e endereço completo no país em que irá retirar a quantia;

-a quantia que será enviada + taxas (paga-se pela transferência e o IOF de 1,1% sobre a compra da moeda estrangeira em espécie);

formulário preenchido (fornecido pela instituição financeira);

-ao fazer a remessa você recebe um número ou código de referência. Guarde-o e passe para a pessoa a ser beneficiada porque em alguns países ele é exigido na hora de sacar a quantia.

Limites

Se a remessa for equivalente a menos de US$ 3 mil, não há exigência de formalização da operação, de acordo com o Banco Central. Acima disso é preciso fazer um contrato de câmbio, com a apresentação de documentos definidos pela instituição que você escolheu. Para comprar moeda estrangeira, você pode adquirir o equivalente a até R$ 10 mil em espécie. Se ultrapassar este valor, a autorizada deve receber o montante através de débito em conta (que esteja no nome do comprador), transferência bancária ou emissão de cheque.

Opções

Corretoras de câmbio e agências de remessaMuitas casas de câmbio são conveniadas com as agências de remessa de dinheiro Western Union ou Money Gram. Fundada nos Estados Unidos há 160 anos, a Western Union é uma das referências nesta atividade. Para enviar uma média de R$ 2.500, a WU cobra em torno de R$ 100 + IOF de 0,38%. Mas a taxa varia de conforme a quantia e o país escolhidos. A grande vantagem em utilizar agências de transferência é a praticidade, pois no geral não é preciso abrir conta em banco. O pontos de atendimento da Western Union no Brasil são as corretoras Renova, Fair, Treviso, Lastro, Potencial, AGK, Signa, Aprobo, Flexcambio, Prisma, Saga, Labor, Deboni, Hayata, Remo, Focco e Mega, nos bancos do Brasil e Bradesco, lojas Gazin e Riachuelo e o grupo farmacêutico Pague Menos.

Presente em mais de 200 países como a Western Union, a Money Gram também está no Brasil, tendo entre os agentes as corretoras Confidence, Ourominas, TurCâmbio, BRX, Flexcambio, Deboni, B&T, Multimoney, Hayata, Flexchange e Cotação e os bancos Itaú e Daycoval. Pelo simulador disponível no site, para enviar uma quantia na base de R$ 2.500 é cobrada taxa de R$ 160.

No Melhor Câmbio você pode fazer ofertas e negociar com muitas casas de câmbio de uma só vez uma boa cotação para sua remessa internacional, e sem custo. Você pode cotar remessas de Dólar, Euro,Libra entre outras moedas.

Outra alternativa através das corretoras de câmbio é fazer depósito em uma conta no exterior de quem estiver lá fora. O envio pode ser feito pela internet, telefone ou pessoalmente em uma corretora e é preciso apresentar documentação (como identidade e conta de água, luz ou telefone recente e formulário). De acordo com o assistente de câmbio da Torre Corretora, Leandro Yamasato, há casos em que é solicitada a declaração de imposto de renda quando o envio é de grandes quantias, como forma de confirmar que você possui meios de pagar o que vai ser enviado. Para não ter que levar o dinheiro em espécie na corretora, dá para fazer o pagamento em boleto, cheque ou depósito. Paga-se IOF pela conversão da moeda e a taxa pelo serviço, que varia de acordo com a quantia.

Também existe a opção de fazer depósito em cartão pré-pago, uma vez que a pessoa que viajou ao exterior tenha te autorizado a fazer a recarga. Neste caso paga-se taxa de 6,38%.

Bancos – É possível fazer a transferência entre bancos através da ordem de pagamento. O beneficiário também precisa ter conta bancária. Tanto quem envia como quem recebe paga uma taxa ao seu banco. No Brasil ela pode variar entre R$ 20 e R$ 100 e lá fora pode ir de US$ 20 a US$ 40. Para fazer a transferência, é preciso preencher formulário e informar o código SWIFT, que identifica o banco, além do nome e dados da conta do destinatário. Para este tipo de transação a dupla cobrança pelo serviço encarece a alternativa e é indicada para envio de quantias mais altas.

E se você tiver conta no exterior, é só fazer o depósito, no qual são cobradas as devidas taxas. Se não, é preciso levar alguns documentos para pedir a abertura de conta no exterior para então fazer a remessa. Normalmente o procedimento é o mesmo para se abrir uma conta no Brasil: apresentação de documento de identidade, comprovantes de renda e residência. Uma vez que a conta seja aberta, segue uma vida normal de correntista, com direito a cobranças de taxas em moeda estrangeira. A opção é mais usada para quem viaja a trabalho e recebe valores regularmente para valer a pena manter a conta em atividade.

Correios – Através do serviço Vale Postal Eletrônico, os Correios enviam e recebem dinheiro a cerca de 20 países na Europa, Ásia e África. O limite da quantia a ser enviada varia em cada país a depender da relação deste com o Brasil. Para enviar à Itália, o máximo permitido é de € 2,3 mil, € 1,5 mil para a Alemanha e € 3 mil para a Tailândia, por exemplo. O valor do serviço é o mesmo desde 2009, de R$ 35 + taxa de 1,5% sobre a quantia a ser enviada. O limite é de US$ 3 mil ou R$ 10 mil diários para o mesmo beneficiário. A finalidade do envio deve ser clara, apenas para gastos diários de estudantes ou residentes no exterior.

PayPal – Quem envia e quem recebe precisa ter uma conta no PayPal para ser feita a transferência. O pagamento é feito através do cartão de crédito, com cobrança de 6,38% por ser cartão internacional, uma vez que a compra em reais só é feita entre contas brasileiras. Também é cobrado 4,5% do pagamento quando há conversão de moedas. Para quem tem a conta PayPal em outro país as taxas são diferentes.

Novo imposto

Talvez você fique na dúvida se fazendo uma remessa é obrigado a pagar o novo imposto de 6% (até 2019) em gastos relacionados a turismo. De acordo com a normativa, o envio de remessas para manutenção de despesas de dependentes, como filhos que fazem intercâmbio, gastos médico-hospitalares ou ainda pagamento de taxas referentes a cursos no exterior estão isentos da taxa. Mas para a isenção é preciso justificar e comprovar as despesas. O Melhor Câmbio detalhou como é feita a cobrança do novo imposto, que entrou em vigor no início de 2016.


Imagem: Keith Cooper/ Creative Commons