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Por Camila Almeida

A única preocupação em virar o ano é encarar as contas de janeiro. É no início de ciclo que se acumulam taxas, impostos e matrículas que podem ser pagas à vista ou em parcelas que vão se juntando às despesas geradas ao longo de cada mês. Aí deve vir o cuidado com orçamento para evitar entrar em dívidas. Como se preparar para pagar essas contas e como ajustar os gastos da família para futuras oportunidades?

Melhor do que encarar o parcelamento destas contas é ter se preparado durante 2015, afinal, janeiro sempre chega e com ele as mesmas despesas. Além de ter que pagar as compras dos presentes, festas e viagens de Natal e Ano Novo, é neste período que vêm as cobranças anuais: Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), matrícula escolar, material e uniforme para o caso das famílias. Além deles estão as despesas fixas de cada mês.

O primeiro passo é verificar se o dinheiro disponível atualmente é suficiente para pagar todas as despesas de janeiro e se o que for entrar nos meses seguintes cobrirão as despesas referentes a eles. Se a resposta for positiva, pague os impostos e taxas à vista. O desconto para quem paga antecipado pode ser pequeno, porém no parcelamento há um acréscimo de juros.

Quem tem dinheiro é melhor pagar para não acavalar com as contas dos outros meses

, comenta o educador financeiro Pedro Braggio. Ainda há as outras cobranças ao longo do ano, como o licenciamento do automóvel e o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT). Braggio orienta que, havendo dinheiro, também sejam pagos no começo do ano.

Saúde financeira

As contas devem ser quitadas de acordo com o bolso da família. O educador financeiro sugere colocar no papel qual a rotina financeira da casa dos últimos dois ou três meses. Liste os gastos do mês, como aluguel ou financiamento, luz, água, telefone, mercado e combustível. Calcule também os eventos especiais, que não são custos fixos e que podem ser reduzidos ou descartados. “É possível ver a partir desse histórico se dá para pagar de uma vez”, comenta Braggio ao indicar que também seja analisado como foi o início de ano de 2015, como as contas foram pagas e compare com a situação de hoje a fim de evitar repetir algum engano.

E se este não for o seu caso e seu orçamento já estiver comprometido, é hora de priorizar. Se não tiver tanto dinheiro em caixa, opte pelo parcelamento, o que é melhor do que deixar de pagar o imposto. Já para quem está com as cobranças do ano anterior em atraso, tente renegociar.

Na análise desse planejamento das contas, verifique onde poderá ser feito um ajuste para conseguir reduzir as despesas, pagar as parcelas e assim criar o hábito de guardar essa quantia. Por exemplo, veja se as compras do mercado ou o almoço na rua podem ser reduzidos em 10%. Uma vez que este valor esteja disponível, calcule uma parte como preparo para as contas do próximo início de ano e inclua outros planos, como viagens a destinos que antes o bolso não conseguia cobrir.

Negócio

Para quem é empreendedor, o início do ano tende a ser ainda mais puxado. Além das contas particulares, há impostos, contribuição social e sindicatos conforme for a área da empresa. Soma-se a isso o desfalque que possam ter pelo pagamento do 13 salário. Se o preparo no ano anterior não foi suficiente, já que 2015 a economia recuou, a saída é recorrer às linhas de crédito. Braggio comenta que o grande erro do empreendedor é não calcular a quantia que precisa para se manter ao longo dos meses.

Tem que colocar no papel a média de quanto gasta, como vai ser janeiro, fevereiro e março, quais as perspectivas de recebimento e despesas.

Do contrário, só tapará um buraco e descobrirá outro, impossibilitando a atividade saudável da empresa. Ao buscar linhas de crédito, o educador financeiro recomenda pesquisar entre os bancos, fazer simulações e negociar taxas. E foque no trabalho em equipe para trazer mais resultados ao empreendimento.


Imagem: morgueFile/ mensatic